Ainda das antigas...
Eu gostaria de dizer-vos coisas grandes e sábias, como só os homens grandes e sábios soem dizer.
Eu adoraria transmitir-lhes pérolas de conhecimento. Fazer-vos acreditar que a vida é plena e bela. Que o universo é infinito como nossas possibilidades.
Mas não posso. Não neste exato momento, e, com toda franqueza, acho que em nenhum outro.
A vida é tão curta. Há afogamentos, há desmaios e, sobretudo, há até dor de barriga. Há tristeza e melancolia em pleno carnaval. Há dor de monta e sofrimento sem conta.
Nós somos fracos e frágeis. Raros, sobretudo o que há de melhor em nós, são os melhores dentre nós. Até porque só os bons morrem jovens.
Há desamor e esquecimento. Não, esquecimento não é tão doloroso quanto o relembramento.
Eu comecei este testemunho sem saber o que queria dizer. Só esperando que as palavras surgissem naturalmente. Como sempre fazem. Sem muito sentido. Como amor de carnaval.
Porque, como eu sempre digo, não é necessário sentido. É necessário sentir-lo.
Será que agora, diante da face asquerosa da vida, eu me retrairei? Afastar-me-ei das outras pessoas? Porque a vontade que tenho agora é de me isolar. Nem escrever eu sei. Não há nada em que eu seja realmente muito bom e que eu queira realmente fazer. Exceto uma. Essa que parece impossível. Esse meu Sonho de Guerra. Desejo fora do qual nada na vida parece ter sentido.
Então, quando você realiza seus sonhos percebe que tudo vale a pena. Que não somos mais pequenos e frágeis. Que tudo é grandioso e infinito.
Oh, meus sonhos, quem me dera vos realizar!
- S.X.

0 comentários:
Postar um comentário