domingo, 14 de dezembro de 2008

Urros Soturnos

O que é este rumor intrometido
Este negror de asas batido
Que terror é este que me assalta,
Tanto oprime o peito que o ar me falta?
Da nobreza não mereço o porte
Que nada, faz.
São apenas os urros soturnos longínquos de morte.

Que pavor! Sinto um medo tão forte
que os olhos trêmulos baixam a mira
receio encontrar-me à própria sorte
Noto um som que nunca se ouvira:
Que nada... faz.
São apenas os urros soturnos longínquos de morte.

Soco o ar, grito que basta
Tal é o sufoco que à morte me arrasta
Observo a carta, resta um selo
Pareço louco no meu desmazelo
Fecho a janela, encubro o norte
Que nada! Faz!
São apenas os urros soturnos longínquos de morte.

Não há mais qualquer luz no meu castelo
nem pálido banha mais o meu forte
de um sol, todo o fulgor amarelo
resta na escuridão toda uma coorte
que nada faz.
São apenas os urros soturnos longínquos de morte.


xxx

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