domingo, 8 de fevereiro de 2009

Não sou poeta

Minha cara, não sou poeta
e nem a tanto me arvoro.
Mas se há algo que adoro
é pôr em rima uma paixão secreta.

Minha adorada, poeta não sou
Mas saiba que todo esse esmero
Nasce do coração em desespero
Quando a inspiração alça vôo.

Não tenho o dom da rima, minha querida,
Só a minha persistente e diuturna intenção
De apanhar uma palavra ou outra, perdida
E montar orações sonhadas por meu coração.

Cara amiga, em vez deste intelecto
Eu queria ter um’alma simples e boa
Ansiando afastar o negro espectro
De uma frase que não mais ressoa.

Minha linda, eu te digo
Que este meu gabar em fausto
É um pungente castigo
Que me deixa, de todo, exausto.

Amada senhorita, que finde esta rima infame!
Obrigo-me fortemente a sair deste tablado.
Pois temo que brevemente passarei o vexame
De não ter sequer mais um verso rimado.

AXB

1 comentários:

Florbela disse...

Deixo que as palavras saiam.

Rolam como minhas lembranças divinas de tudo.

A poetisa não sonha mais.

Caem como folhas, sem sentido, não formam mais nada, e, no entanto, a inspiração hoje é feliz.

A poetisa não sonha mais.

Leve, soltas, as emoções não sofrem mais, hoje elas são vivas e intensas, sem ardor, pesar, angústia ou deslumbramento.

Lindas, agora são não mais meras elucidações, e sim, plenas e fortes, como os beijos, carícias.

A poetisa não sonha mais, hoje esse sonho é vivo, e reflete em seus olhos, em seus toques, e falas.

Risadas, não mais ensaiadas para a conquista, e sim, espontâneas para a admiração.

Toques, agora não mais com pesar e disfarces.

Lágrimas não mais de falta, e sim felizes, de saudades.

Cartas não mais pretensiosas, e sim despretensiosas como um simples sorriso ou gesto.

A poetisa não chora mais.

A sua inspiração é sua realidade.



18/08/2008 às 1:37hs pm