Minha cara, não sou poeta
e nem a tanto me arvoro.
Mas se há algo que adoro
é pôr em rima uma paixão secreta.
Minha adorada, poeta não sou
Mas saiba que todo esse esmero
Nasce do coração em desespero
Quando a inspiração alça vôo.
Não tenho o dom da rima, minha querida,
Só a minha persistente e diuturna intenção
De apanhar uma palavra ou outra, perdida
E montar orações sonhadas por meu coração.
Cara amiga, em vez deste intelecto
Eu queria ter um’alma simples e boa
Ansiando afastar o negro espectro
De uma frase que não mais ressoa.
Minha linda, eu te digo
Que este meu gabar em fausto
É um pungente castigo
Que me deixa, de todo, exausto.
Amada senhorita, que finde esta rima infame!
Obrigo-me fortemente a sair deste tablado.
Pois temo que brevemente passarei o vexame
De não ter sequer mais um verso rimado.
AXB
ES-PE-RAN-ÇA
3 dias atrás

1 comentários:
Deixo que as palavras saiam.
Rolam como minhas lembranças divinas de tudo.
A poetisa não sonha mais.
Caem como folhas, sem sentido, não formam mais nada, e, no entanto, a inspiração hoje é feliz.
A poetisa não sonha mais.
Leve, soltas, as emoções não sofrem mais, hoje elas são vivas e intensas, sem ardor, pesar, angústia ou deslumbramento.
Lindas, agora são não mais meras elucidações, e sim, plenas e fortes, como os beijos, carícias.
A poetisa não sonha mais, hoje esse sonho é vivo, e reflete em seus olhos, em seus toques, e falas.
Risadas, não mais ensaiadas para a conquista, e sim, espontâneas para a admiração.
Toques, agora não mais com pesar e disfarces.
Lágrimas não mais de falta, e sim felizes, de saudades.
Cartas não mais pretensiosas, e sim despretensiosas como um simples sorriso ou gesto.
A poetisa não chora mais.
A sua inspiração é sua realidade.
18/08/2008 às 1:37hs pm
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