As outras relíquias foram encontradas facilmente. Uma reunião extraordinária da Confraria foi convocada para informar os demais Confrades dos recentes acontecimentos.
- Porra, bicho! Grendel é foda! – depois de um instante Martelo se completou – Ê fedor!
- E agora? – perguntou Frank.
- Todo o material está separado. Temos equipamento de camuflagem para nos esconder dos demônios, granadas de mão, explosivos em geral e armas de fogo. Será o suficiente para acabar com eles numa bela tarde de inverno. Inclusive há um par de botas-esquis iguais às relatadas por Dan Brown em Impacto Profundo. Fuzis de longa distância, pistolas, e submetralhadoras. Ah, e uma giratória para Wolverine. Eu vou levando minha HK MP5 especial com carregador duplo, teleobjetiva, visor noturno e térmico.
E, depois de um silêncio constrangedor, terminei:
- Falta só achar os “outros dois integrantes”.
- Quem serão? Alguém de fora? – quis saber Frank.
- Será que não é apenas um número cabalístico? – supôs João.
- Cabalístico ou não, tem que ser completado. - redargui.
- Vamos chamar Frank, o Outro? E um dos Irmãos do Caos? – perguntou Martelo.
- Não acho que seja uma boa. – eu respondi, diante da careta de todos os outros.
- Então quem?
- Ããã... - fez João, naquela sua expressão bem conhecida. - Eu conheço alguém que pode...
- Quem? - eu perguntei apressado.
- Padmé.
- Sim, e a outra pessoa? - Wolverine quis saber.
- Yvaine.
- Eita! - gritou Martelo sem querer. - Logo as duas?
- Isso não vai dar certo. - disse Frank.
- Tss! - chisteou João.
- É o jeito. - Martelo respirou fundo. - Como a gente faz para falar com as duas?
- Deixa comigo. - respondeu João 8.
Dois dias depois eu estacionava a Sahara (sabe aquela minha caminhonete D-20 cabine dupla preta e tunada? Essa mesmo) numa bifurcação da estrada de Juazeiro para Caririaçu. Uns cem metros à frente ficava a gruta.
Imaginem um silêncio sepulcral. Era isso mesmo dentro da caminhonete. Desde a saída da casa de Yvaine, que a foi a última a embarcar, ninguém deu uma palavra. Nem um pio. Eu conseguia ouvir todos os grilos da suspensão traseira da Sahara.
Martelo vinha sentado à minha direita. Eu tão nervoso com a situação, e a aventura em si, que ainda acertei seu joelho com a barra da marcha umas vinte vezes. Ele também não dizia nada. Padmé ia na extrema direita, apesar de não estar com a cara fechada, não consegui segurar nem por dois segundos um sorriso quando a cumprimentei.
Yvaine ia sentada no banco traseiro atrás de mim, com João 8 logo a seu lado. Ele vinha batendo nas próprias pernas, acho que era para espantar o nervosismo, embora o ato o tornasse mais evidente. Ela só olhava pela janela. Wolverine vinha ao lado dele cofiando a barba estilizada com aquele jeito de quem está aparando as unhas numa lixa. Mais desconfiado impossível.
Frank vinha no bagageiro lendo um livro de xadrez, para variar. Uma magnífica e especificíssima obra sobre o xeque-pastor. Uma farândula. Aparentemente nem atinava para a tensão dentro do veículo.
Descemos do carro no mesmo silêncio. Distribuí os equipamentos entre o pessoal. Wolverine, como sempre, levando 4/3 de tudo, na moral. As duas heroínas sempre se mantendo à distância.
Vou pular a parte dos rituais de abertura do portal, que é chata. Só comunico que quando a luz esgazeada do portal mostrou o que parecia ser uma caverna-gêmea do mundo da fantasia, mais à frente se estendendo uma campina de grama esverdeada até perder de vista, todos estavam ansiosos para atravessar.
Uma sensação de congelamento cobriu minha pele quando passei depois de Martelo que ia como batedor. Meus olhos ficaram cegos por alguns instantes, o suficiente para perceber que todos havia ultrapassado o portal. Quando voltei a enxergar, a parede de rochas havia substituído o portal. Só restavam as imagens pintadas sobre a pedra.
Senti um peso anormal sobre as roupas. Mas o mais estranho foi perceber Wolverine usando uma cota de malha de aço e segurando um machado de guerra.
- Caralho, bicho! Eu tô de armadura!
Continua...
Tua luz
1 dia atrás

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