Cheiro de Relva
Quando li O Hobbit pela primeira vez, o que mais me impressionou foi o cheiro da relva que senti quando soube do Condado. Fato que se repetiu nas histórias do Senhor dos Anéis e outras de natureza fantasiosa, capa e espada ou medievais, como quiserem.
Em nenhum momento eu senti o futum do Gollum, ou o fedor dos Uruck-Hai ou dos Naz'Guls. Era sempre o cheiro de relva, o olor de madeira odorífica queimando na lareira enquanto lá fora era uma noite fria, e a toca tinha um calor aconchegante. Quase como se a toca fosse minha própria casa.
Que capacidade é essa de alterar a realidade, de criar uma nova, de mudar o tempo, de mudar os sentimentos, de fazer chover quando necessário e de nascer o dia quando imprescindível? É a de toda uma vida.
O que eu devo aos contadores de boas histórias? Devo tudo, devo a graça de minha vida e a alegria de minha existência. Agradeço o suflar de esperança em meu peito. O que devo a estes calhamaços de papel, envelhecidos, amarelecidos, tão convidativos quanto gratificantes? Devo a riqueza de minha história e a profundidade de meus sentimentos.
Devo minhas próprias histórias, umas poucas e boas histórias.
Boa noite e bons sonhos, meus livros.

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