Se não queres que eu compartilhe esta noite contigo, simplesmente me diga.
Se não queres esta brisa de eterno frescor, nem este cheiro de dias gloriosos por virem, simplesmente me diga.
Não ficarei me apegando a este sonho, ao sonho desta noite.
Pois posso muito bem percorrer as ruas desertas e me deslumbrar com a beleza das luzes amareladas e o jogo de sombras aos pés dos postes. Posso dançar ao som do profundo e absoluto silêncio. Posso admirar e beijar as estrelas como se fossem meus únicos amores possíveis. Posso até uivar para a lua.
Mas se quiseres que eu compartilhe esta noite contigo, não fales nada. Deixa-me encarregado de ti e de teus desejos. Deixa-me silenciar teus anseios, sufocar teus medos e extinguir tua solidão que dói nos olhos só de te ver. Deixa minhas mãos tocarem as tuas, deixa meu corpo aquecer o teu, deita teus pensamentos em meu peito e esqueça que o mundo existe, esqueça as horas, as convenções, a história humana, os meus gostos e os teus desgostos.
Esqueça tudo.
Lembra-te apenas que tu és uma mulher e que eu sou o homem que podes te chamar de teu, por hoje, apenas. Por hoje apenas. Pois que eu sou cigano no pensar e no amar. O amanhecer me leva a outros passos e a lembrança de um sorriso que nunca vi nesta vida me leva para outros caminhos.
Mas esta noite eu sou teu porque Deus me deu a chave do tempo e do espaço para fazer uma noite perpétua. Que pode ser hoje ou amanhã. É só deixar-te levar por meus poucos encantos em alguns cantos. Ouvir as palavras por mim sussurradas em teus ouvidos e permitir que a magia da noite encante teus sentidos. E, quem sabe, selados alguns beijos, se realizarão teus desejos.
Então eu serei toda a madrugada.
Ele, Ela e a Partida (Parte II)
1 dia atrás

1 comentários:
Ar, Água, Terra e Fogo!
Hoje senti o dedo do vento me fazer carinho, com uma brisa pura e suave eu pude perceber que a paz traz refrigério a alma enquanto meus cabelos se esvoaçam inertes a ação do tempo.
Me recosto em mais uma cadeira de balanço, em céu aberto, cansada de lutar contra meu coração, deixo a chuva cair sobre minha face, sentindo o beijo daquela tempestade molhar meus lábios olho para o céu.
Caminho por esse chão árido, terra dura que machuca meus pés, quando percebo estou sendo carregada, pois cansada de andar, encontrei acalento em seus braços, braços da paz, braços que me pegam no colo e não me deixam andar sozinha.
Estou sendo consumida pelo fogo, brasa viva, com as mordidas de um sol ardente, sinto meu peito queimar, sinto minha alma queimar, sensação essa inexplicável por ciências, quando a única verdade existente é o seu viver em mim.
Sinto o coração tentando a aproximação de você, tentando ser igual carne e osso, um só espírito, uma só razão, me permito te permitir, me entrego a ti, lança minha alma e faz morada em mim pois quero viver esse sentimento de alegria e de paz que só você com seus abraços me proporciona.
Texto escrito por Florbela no dia 20/05/2009 às 01:43 am
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