sexta-feira, 19 de junho de 2009

Medo

Eu não entendo esse medo tão profundo e perene que os meus amigos têm. Medo das pessoas, medo dos lugares, medo das horas, medo de sair e de chegar. Logo em Fortaleza! Ora, Fortaleza com sua grandeza, Fortaleza com seus policiais a cada quarteirão, percorrendo lentamente as ruas em suas reluzentes caminhonetes Hilux.

Fortaleza em que a questão social é ainda caso de polícia, em que todos estes excelentes servidores públicos têm ganas de proteger o elegante advogado de terno e gravata. Fortaleza é mais minha que de seus próprios pelintras e ladrões.

Fortaleza é solícita, meus amigos. Fortaleza real é a do céu resplandecente, dos cheiros das ruas, da pressa dos ônibus, do stress dos motoristas, do tráfego gigantesco, das milhares de lojas, dos incontáveis transeuntes; não essa vista pelo aquário que é um carro particular. Insípido. Inodoro. Refrigerado. A realidade de Fortaleza é a das ruas. Sejam elas límpidas ou imundas, iluminadas como o dia ou escuras como uma sombra só.

Não há nada a temer se não o medo. Este é quem nos impede de viver. Bom, é claro que eu não diria isso se me jogassem do carro, à noite, de paletó no meio do Pirambu!

1 comentários:

Florbela disse...

Fiquei muito feliz ao entrar aqui e ver que tem textos novos.
Já estava sentindo falta.
Muito bom ler o que você escreve.
Xero!